Últimas resenhas

Comunicado Importante: Então... estou crescendo!

Quem acompanhava o blog frequentemente e até aqueles que não acompanhavam perceberam que o blog está sendo pouco atualizado, que eu quase não estou aparecendo no Twitter e Facebook, salvo os momentos para divulgar os rarefeitos posts.

O que aconteceu?

Como eu posso explicar para vocês que eu simplesmente estou crescendo? E que crescer faz com que o nosso foco de objetivos e prioridades mude? Quando eu tinha 17 anos e criei o blog a minha única preocupação era passar no vestibular, estudar inglês, me formar em espanhol, escrever minhas fanfics e arrumar a casa para a minha mãe. Mas hoje com 21, eu estou me formando na faculdade, desisti do inglês, me formei em espanhol, não concluí uma fanfic e não arrumo mais a casa. Claro, muitas outras coisas aconteceram entre eu estudar para vestibular até hoje. Isso é resumir de forma bem caótica que antes eu tinha um tempo no qual não tenho mais hoje.

Estou no último semestre da faculdade de Publicidade e Propaganda. Em meio a esse tempo eu consegui um emprego, descobri ainda mais o que eu quero para minha vida. Estou fazendo planos. Sonhando. E principalmente aprendendo. E no momento, eu estou fazendo tudo ao mesmo tempo e estava mais que óbvio que uma hora algo ia ceder e eu deixaria de fazer, ou faria muito mal feito, o que está sendo o caso.

Em resumo: estou deixando o blog em um hiatus provisório. Sério, quando eu tomei essa decisão meu coração se apertou muito e conversei bastante com uma pessoa em especial que me aconselhou e ouviu as minhas angústias. Pode parecer bobeira, mas é muito para mim acordar às 5hs, atravessar Brasília, estudar, trabalhar, chegar em casa às 21hs e ainda me dedicar para a minha família, blog, fansite e monografia.

ENTRE OUTRAS COISAS PORQUE NINGUÉM VIVE SÓ COM ESSES QUATRO ITENS! 

Quero deixar bem claro que esse hiatus não quer dizer que pararei de blogar totalmente até porque acho que a vontade de escrever, desabafar e até falar dos livros que eu leio aparecerão por aqui. Só significa que eu não vou conseguir me dedicar a ele da forma como eu costumava fazer. Infelizmente, o blog não paga as minhas contas e não escreve a minha monografia. E esse nunca foi o foco dele, mas eu quero me dedicar àquilo que no momento é o mais importante para a minha vida: mostrar um trabalho decente, digno onde eu estou e demonstrar para as pessoas quem é a Raphaela PUBLICITÁRIA (em caixa alta e leia bem alto!) e quem é a Raphaela Estudante-Quase-Formada que ama livros e marketing e que fez uma mistura doida e encontrou seu caminho para escrever sobre algo que gosta. Okay. Estou escrevendo sobre mim mesma na terceira pessoa.

Gostaria também de dizer que acho que esse é um momento importante para me afastar, pois apesar de não aparecer tanto mais assim no meio blogueiro literário, me assusta os comentários que algumas pessoas fazem. Sem citar nomes ou apelidos, acho que muitas coisas estão bagunçadas nesse meio no qual faço parte. Me assusta os comentários negativos-pessimistas sobre as pessoas deixarem os blogs um pouco mais de lado para se dedicarem aos sonhos, me assusta vocês falarem tão indiscriminadamente de pessoas que sequer viram uma vez na vida e me assusta todo mundo tentando puxar o tapete de todo mundo. Entre muitas outras coisas que me assusta.

Prefiro pensar que quando eu retornar com força total eu esteja com criatividade, uma nova vontade de voltar e um novo modelo de blog. Há meses que eu percebo que talvez o Equalize da Leitura não seja suficiente para o que eu quero falar e para a forma como eu quero me expressar. Mas isso é assunto de outra pauta.

Dado o meu recado, espero que quem acompanha (va) o blog possa entender a minha decisão. E que na metade do ano eu voltarei como se esse tempo de espera nunca tivesse acontecido.

Para quem quiser ou precisar entrar em contato comigo, estarei sempre sempre no instagram.com/equalizeleitura e e-mail equalizedaleitura@yahoo.com.br ;)

Ensaio fotográfico: Malu, 11 dias

Esse post é bem incomum aqui no blog, mas eu queria compartilhar com vocês de qualquer forma já que fotografia é um hobby que eu estou descobrindo.

Eu ganhei uma sobrinha esse ano e estava tipo 'ah meu Deus, terei uma sobrinha nova!' Assim, eu já tenho uma de 17 anos, a Luana. Outra de 1 ano chamada Camila e agora chegou a Maria Luiza - ou Malu *-* - para completar a felicidade. A Luana e a Malu são irmãs e apesar da Camila ser bem fofa e um bebê ainda, por não morarmos tão perto assim quase não temos contato, apesar de ser apaaaaaaaaixonada por ela. 

Mas vamos ao que interessa:

Quando a Malu estava com 11 dias de nascida, a minha irmã pediu para que eu fizesse umas fotos dela no estilo newborn - que se caracteriza por tirar fotos de bebês com até 30 dias de idade - em que temos pessoas especializadas no assunto pelo Brasil.

É um estilo de fotografia muito popular nos Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha e Austrália. A modalidade é destinada apenas a fotógrafos devidamente treinados para este serviço*.  A prática consiste em uma sessão de fotos na qual a criança é fotografada no seu primeiro mês de vida, sendo que o conforto e a segurança do bebê devem ser as prioridades do fotógrafo. Os ensaios podem ser realizados em estúdios devidamente preparados para receber estes pequenos clientes ou na própria residência da família.  Uma das características deste tipo de ensaio é fotografá-lo em seus primeiros dias de vida. Os registros são feitos sem roupinhas ou com acessórios próprios para recém-nascidos. É necessário também que o bebê esteja em sono profundo, para permanecer nas poses e passar a tranquilidade do momento nas imagens.
Fonte
* Lembrando que eu não sou treinada para isso. hahaha

O trabalho que eu mais gosto é da brasiliense Érika Muniz. Quando eu estava no 5º ou 6º semestre da faculdade teve uma exposição com as fotos dela na biblioteca e eu fiquei: 'oh meu Deus, como ela deixa essas coisinhas fofas assim?' e fiquei olhando por horas. Aí nem precisa dizer que eu surtei com o pedido, né? Mas aí falei: tudo bem, eu faço. Desafio aceito.

Voltei para casa doida e comecei a pesquisar modelo de fotos tiradas com bebês onde eles tinham menos de 15 dias de vida e são incríveis. E por mais que eu quisesse fazer algo bem bonito e lindo com a minha sobrinha, eu já sabia que TALVEZ não fosse ficar nem parecido com os exemplos que eu estava pesquisando.

- Eu não sou fotógrafa profissional.
- Eu não tenho equipamento apropriado.
- Espaço pequeno: a casa da minha irmã é bem pequena, então, eu não sabia como iria conseguir conciliar para tirar as fotos.
- Luz: eu não consegui identificar na hora de separar a câmera e tentar fazer um pré ajuste de como estaria a luz por lá. Levei inclusive uma lâmpada fluorescente com receio de não ter luz natural.
- Limitação em cenário: por ser uma casa pequena, eu fiquei tentando imaginar como eu iria criar cenários para fotografar. Em todas as fotos dos pequenos que eu pesquisei tinha uma combinação de cores muito bonitas, que se ajustavam com o bebê e o ambiente.
- Malu: eu não sabia como ela ia reagir quando eu começasse a fuça-la para tirar foto.

Quando eu cheguei a casa dela por volta das 11hs de um domingo, dia 16/03, mostrei para a minha irmã o que eu tinha em mente e ela disse que gostava. Preciso dizer que apesar de não ser a especialista em fotografia, não gosto muito de fotografar pessoas. Eu gosto mais de detalhes e paisagens. E tudo que eu tinha pesquisado para o ensaio da Malu tinha aquele toque que mostrava algum detalhe, seja uma mãozinha, um pezinho com tênis, um lacinho no cabelo.

O que eu fiz: tentei buscar dentro do meu próprio ambiente objetos e itens que eu poderia levar para ajudar a compor o cenário. E isso foi difícil porque eu não tenho motivos para ter coisinhas de bebê espalhadas pela casa e os outros que seriam escolhidos deveriam ser neutros para não fugir do foco. Eu peguei, então, três edredons: um bem colorido com algumas palavras de sentido bom, um de oncinha e outro vermelho que ficariam bacana por ela estar ainda muito branquinha. Levei dois ursinhos, uma tiara com renda, uma cesta em formato de maçã e um baú.

Quando eu cheguei fiquei feliz por saber que que a luz estava okay e que ajustando o obturador da câmera para entrar um pouco mais de luz e o fotômetro eu conseguiria fotografar tranquilamente. As paredes do quarto da minha irmã são branquinhas, então, um ponto positivo pois é melhor branco e eu conseguir editar depois do que ser colorido ou desbotado ou descolando da parede. O espaço pequeno eu driblei expulsando todo mundo do quarto da minha irmã e do quarto da Malu. Sendo assim, só a Luana (a irmã) entrava para me ajudar e a minha irmã para amamentar e socorrer quando precisava.

Depois de todo esse histórico, seguem as fotos para vocês. Eu fiz muita, muita coisa errada e quando eu vi as fotos na câmera pensei que estavam lindas e só quando passei para o laptop foi que eu vi que várias estavam com ruídos e fiquei super frustrada e quis chorar. Primeiro: foi um dia cansativo. Segundo: a Malu não vai ter 11 dias mais. Terceiro: parece que seu esforço foi em vão. De 270 fotos dela eu consigo tirar umas 20 que eu gostei, 30 que teriam ficado lindas e 50 que teriam ficado maravilhosas se não tivesse sido mal fotografas e as outras iriam para descarte mesmo.









 









Eu gostei bastante de algumas fotos e essas me deixaram com o coração no chão pois consegui registrar um momento único na vida dessa mocinha. Mas também me fez pensar que eu preciso urgente de um curso de fotografia, pois as duas matérias que eu fiz na faculdade não foram suficiente. Obviamente que eu já sabia disso, mas agora eu realmente tive a certeza.

Sei que frustração pelo trabalho não ter saído como eu esperava é comum e já aconteceram diversas vezes. Creio que fiquei mais chateada porque fiquei tão animada que apesar de sentir no fundo que poderia dar errado, não imaginei que tantas seriam descartadas.

Mesmo assim, sabe quando você termina o dia com a sensação de: 'okay, eu fiz. Não ficou tão legal quanto eu esperava, mas eu fiz'? Foi assim que eu fiquei. Quando eu olho as fotos, confesso que ainda me dá uma chateação mas conversei com váááááááááááaááárias pessoas que tentaram acalmar meus ânimos e agora eu estou ainda no processo de tentar aceitar kkk Se todas as vezes que eu for tirar fotos e algo der errado e eu ficar com essa sensação de frustração durante semanas, eu estou ferrada. hahaha

Espero que vocês tenham gostado do post ;)

[Resenha] Dias de Sangue e Estrelas

Título: Dias de Sangue e Estrelas
Título Original: Days of Blood and Starlight
Autora: Laini Taylor
Ano: 2013
Páginas: 448
Tradução: Viviane Diniz
Editora: Intrínseca



 Karou, uma estudante de artes plásticas e aprendiz de um monstro, por fim encontrou as respostas que sempre buscou. Agora ela sabe quem é - e o que é. Mas, com isso, também descobriu algo que, se fosse possível, ela faria de tudo para mudar: tempos atrás Karou se apaixonou pelo inimigo, que a traiu, e por sua culpa o mundo inteiro foi punido. Na deslumbrante sequência de Feita de fumaça e osso, ela terá que decidir até onde está disposta a ir para vingar seu povo. Dias de sangue e estrelas mostra Karou e Akiva em lados opostos de uma guerra ancestral. Enquanto os quimeras, com a ajuda da garota de cabelo azul, criam um exército de monstros em uma terra distante e desértica, Akiva trava outro tipo de batalha: uma batalha por redenção... por esperança. Mas restará alguma esperança no mundo destruído pelos dois? 

Fiquei um ano esperando o lançamento de Dias de Sangue e Estrelas. E aí que no final do ano passado a editora lançou e eu surtei e foram corações explodindo de alegria de todos os lado. Parei de ler tudo, exatamente tudo que eu estava lendo e me joguei na leitura. E foi surpreendente! Mais uma vez a autora conseguiu me envolver, conquistar e mostrar que a sua criatividade para esse livro é algo inacreditavelmente bom. Se a resenha de Feita de Fumaça e Osso foi cheia de vídeos, imagens e fotos com essa eu vou tentar ser mais sucinta e ir direto ao ponto. Inevitavelmente terá algum spoiler.

Quando o primeiro livro terminou, Karou descobriu que foi já foi uma quimera conhecida como Madrigal e que se apaixonou por um anjo, Akiva, na guerra travada há anos. Quando Madrigal foi morta pelo seu povo, Brimstone colheu sua alma e a colocou em um corpo novo e totalmente humano. Só que Akiva nunca perdoou o povo pelo que aconteceu e deu início a uma matança sem fim, que resultou na morte de Bromstone e das únicas pessoas que Karou conhecia como família. Com a ajuda do anjo caído Razgut, Karou retorna ao mundo onde toda a sua história com Akiva começou e o encontra destruído e acabado, onde a guerra passou e deixou as suas marcas.

Com o objetivo de ajudar a sua raça e sabendo que aprendeu com Brimstone como ressuscitar seus irmãos que morreram durante a batalha, Karou pega para a si a função de restaurar as almas que foram guardadas e reconstruir o exército de quimeras na luta contra os anjos. No meio desse processo, porém, terá que lidar com almas que a afligia desde quando era Madrigal e aturar o temido Lobo Branco: o mesmo que a executou quando ela ainda vivia no corpo de quimera.


Era uma vez um anjo e um demônio segurando um osso da sorte que, ao ser partido, dividiu o mundo em dois.

Enquanto isso no mundo dos anjos, Akiva está sofrendo pois pensa que Karou está morta e mesmo em sua dor, retorna para o exército dos anjos e reencontra seus irmãos Liraz e Haezel. Só que eles não esperavam que serafins começassem a morrer de uma hora para outra e de forma brutal, deixando bem claro a mensagem: estamos de volta. Joram, o imperador do anjos decreta que todo e qualquer quimera encontrado deve ser morto enquanto os anjos procurarão descobrir quem está retornando com os quimeras que já foram mortos. Akiva e Karou agora estão em lados diferentes em uma guerra sangrenta que atravessa os séculos. Como cada um vai reagir quando descobrir que estão trabalhando em lados opostos da mesma guerra?

Compaixão gera compaixão, assim como sangue gera sangue. Não podemos esperar que o mundo seja melhor do que aquilo que o fazemos ser.

A sequência é extraordinária. Aqui os meus sentimentos ficaram confusos entre raiva, impotência, aflição em vários momentos: quando o Lobo Branco aparece e o seu sentimento de inveja fica tão nítido ou quando ficamos sabendo que os anjos de sexo feminino tem que se submeterem ao Joram, sendo obrigadas a fazerem sexo com alguém abominável ou quando Liraz luta fortemente para que esse sistema seja revisto. Enfim, é um misto de emoções que nos impregna já nas primeiras páginas, onde encontramos uma Karou mais deprimida, perdida e melancólica em contrapartida com Zuzana que mais uma vez se destaca no livro, fazendo todo o diferencial. Inclusive quando ela se mistura no mundo das quimeras, achei meio surreal primeiramente. Mas depois percebi que a ajuda dela foi indispensável para manter Karou sã e que ela conseguiu conquistar até os corações dos monstregos.

É impossível não falar o quanto nos aprofundamos no mundo dos quimeras e dos anjos, já que a autora soube dosar todos esses momentos especiais para que tivéssemos acesso mais amplo do que estava acontecendo de ambos os lados. Aqui é incrível saber como Brimstone e Karou fazem para criar os corpos para que os quimeras retornem, escolhendo os dentes para que eles se encaixem nas melhores qualidades que um quimera possa ter de um corpo fisicamente, já que a sua alma/espírito continuam sendo o mesmo.

Aquela não era uma ciência exata, para começo de conversa, e proporção asa-peso… bem. Se Karou soubesse o que seria quando crescesse, talvez tivesse prestado mais atenção em certas aulas na escola. Ela era uma artista, não uma engenheira.      

Sou uma ressurreicionista.      

O pensamento lhe ocorreu de repente, óbvio e estranho como sempre.

O final me deixou angustiada porque eu queria maaaaaaaaais! Na verdade, EU QUERO MAIS AGORA! Foi tipo maldade porque, para mim, o final do segundo livro e o terceiro serão o ápice de tudo e estou ansiosa para saber como a autora vai lidar com todos os personagens, guerra e elementos que ela criou e trouxe para esse universo. Eu simplesmente não consigui abandonar o livro, nem desgrudar e li em um dia. É interessante que ela não se perde, sabe o que está fazendo e a sua narrativa só atrai mais ainda. Mais uma vez: dêem a oportunidade de vivenciar auma história onde os anjos nem sempre são os bons e onde os quimeras - que eram para ser os malvados - conquistam seu coração. Essas mudanças são atrativas do ponto de vista de que você sempre vai ficar em dúvida em quem acreditar ou em quem é ou não bom realmente.

[Resenha] Feita de Fumaça e Osso

Título: Feita de Fumaça e Osso
Título Original: Daughter of Smoke & Bone
Autora: Laini Taylor
Ano: 2012
Páginas: 384
Tradução: Viviane Diniz
Editora: Intrínseca



Pelos quatro cantos da Terra, marcas de mãos negras aparecem nas portas das casas, gravadas a fogo por seres alados que surgem de uma fenda no céu.Em uma loja sombria e empoeirada, o estoque de dentes de um demônio está perigosamente baixo. E, nas tumultuadas ruas de Praga, uma jovem estudante de arte está prestes a se envolver em uma guerra de outro mundo.O nome dela é Karou. Seus cadernos de desenho são repletos de monstros que podem ou não ser reais; ela desaparece e ressurge do nada, despachada em enigmáticas missões; fala diversas línguas, nem todas humanas, e seu cabelo azul nasce exatamente dessa cor. Quem ela é de verdade? A pergunta a persegue, e o caminho até a resposta começa no olhar abrasador de um completo estranho. Um romance moderno e arrebatador, em que batalhas épicas e um amor proibido unem-se na esperança de um mundo refeito.

Eu li em 2012, reli no ano passado, mas como a minha vida estava um tanto confusa, acabei deixando a resenha dele para depois, depois, até aqui. O mais surpreendente foi que eu gostei MUITO da leitura, e quem conhece um pouquinho da pessoa aqui sabe que ela detesta anjos... Pois é, fui fisgada pelas peninhas aqui e confesso... me apaixonei. Gostei muito, gostei demais e fazia muito tempo que não me sentia tão feliz, envolvida e alegre com uma leitura! Yeah! E sim, eu detesto quando eu gosto muito, muito, muito de um livro e tenho que fazer resenha, pois sempre tenho a sensação de que não consigo fazer com que as pessoas se sintam atraída ou demonstrar o quanto gostei. .-. Enfim, loucuras da Rapha.

Então, vamos lá. Deixa eu contar para vocês sobre Feita de Fumaça e Osso. O que interessa saber primeiramente é que me envolvi muito com o livro por ser uma história totalmente original, bem escrita, com uma narrativa em terceira pessoa que te atingi de maneira singular e que dificilmente vai fazer você parar de ler. Os inícios dos capítulos tem palavras instigantes e eles são curtos, rápidos e cheios de detalhes e mistério surpreendentes. Não posso dizer que já li todos os tipos de livros, até porque eu sou nova e nem sempre busco por livros que estão distantes do que eu realmente gosto de ler, mas o ponto principal aqui é que é um livro absolutamente original. Eu - nunca - li - nada - parecido - ou - próximo - a - isso


Karou é uma adolescente de cabelos azuis. E sim, eles nascem assim. Além de ser linda e muito estilosa (como eu imagino), fala diversos idiomas (e nem todos são humanos), tem várias tatuagens e tem muita aptidão para o desenho, tanto que seus cadernos são demasiadamente requisitados por seus colegas da sua aula de Artes para dar uma olhada no que tem de novo, principalmente porque Karou parece viver em um planeta onde quimeras, anjos e demônios são seres naturais e onde a sua imaginação não tem limite. Mas a precisão de seus traços e o quanto é real os seus sentimentos através do desenho é o que atrai tantos olhares. Ela tem poucos amigos e não tem uma vida amorosa digna de ser comentada. As pessoas pensam que ela é órfã, quando na verdade Karou foi criada por quimeras - seres que tem a cabeça de bode e o corpo de um humano, ou várias cobras pelo tronco e o restante do corpo de uma mulher. Deixem a imaginação correr solta.

Seu mundo é definido por Brimstone - um quimera conhecido como Mercador dos Desejos - e que possui uma loja. Karou se lembra dele desde que era um bebê e não conhece outra pessoa que remeta a pai e junto com Twiga, Yasri e Kishmish (um pássaro) é o que ela pode chamar de família. Eles vivem em um mundo paralelo ao dela, mas sempre abrem o portal para que atravesse e possa visita-los. Uma humana vivendo com demônios. Brimstone pode construir objetos que concede desejos as pessoas e a sua loja está estrategicamente posicionada onde os mundos ficam interligados.

Lá estava Issa, serpente da cintura para baixo e mulher da cintura para cima, com os seios nus e arredondados das esculturas do Kama Sutra, o capelo e as presas de uma cobra e o rosto de um anjo. Twiga e seu pescoço de girafa, corcunda e com uma lupa de joalheiro presa a um olho que estreitava. Yasri, com o bico de papagaio e olhos humanos, cachos alaranjados escapando do lenço da cabeça, ela carregava uma bandeja de frutas e um jarro de vinho. E Brimstone, é claro – a estrela dos cadernos. Em um desenho ele aparecia com Kishmish encarapitado em um de seus grandes chifres de carneiro.

Karou trabalha para Brimstone: viaja para os lugares mais remotos da terra em busca de dentes. Estranho? Ela também acha, mas o quimera nunca explicou o motivo. Apenas diz: vá e faça e ela atende prontamente, passando por situações complicadas, tendo que lutar por sua vida e conhecendo outros seres que também habitam esse mundo. Entre machucados e fugas, ela retorna sempre com os dentes que ele pede. Além de algumas regalias como pagamento, o que ela mais deseja é que Brimstone fale sobre como ela foi parar com eles, que conte a sua história, que mostre para ela como tudo aconteceu.

O que Karou não esperava, porém, era que anjos começassem a destruir os portais por onde ela atravessa para encontrar Brimstone. E quando Akiva - um anjo que durante séculos vem travando uma batalha contra os quimeras - destrói a sua última esperança de descobrir mais sobre sua vida, Brimstone, esse mundo paralelo, anjos e quimeras, ela se vê sozinha. Mas Akiva não consegue tirar essa menina de cabelos azuis e grande lutadora - que tem hashás desenhados nas mãos - da cabeça e procura conhecer sua história. E é quando percebem que elas se cruzam de uma maneira que ele nunca pensou que fosse acontecer. E que procurar saber sobre o passado, presente e futuro vai interferir em seu coração e alma mais do que ele pode explicar, pois ele e Karou estavam ligados durante anos. Ela, no entanto, vai atrás das suas próprias respostas, da sua família e reverter a situação na qual se encontra. Agora é preciso saber no que acreditar, como resgatar aqueles seres que foram sempre quem cuidou dela e os únicos que ela soube amar.

Geralmente Karou conseguia manter suas duas vidas em equilíbrio. De um lado, era uma estudante de arte de dezessete anos em Praga; do outro, a garota de recados de uma criatura inumana que era o que tinha de mais parecido com uma família.


A Laini é uma autora extremamente criativa e imagino que essa característica seja fora da sua vida como autora também e eu A.M.O Feita de Fumaça e Osso pelo simples fato dela ter usado tão bem esse recurso. Alguns autores tem mas não sabem colocar em palavras e outros simplesmente não tem. Para começar, Karou é uma das personagens mais bem construídas que eu já tive a oportunidade de ler. Você não se perde na personalidade da garota porque ela é aquilo ali do início ao fim. Zuzana é algo a parte: ela é a melhor amiga de Karou, incrivelmente bem estruturada (sem falar que suas passagens pelo livro são hilárias! Dão aquele toque especial para que as risadas se misturem a tensão do enredo)! A interação dela com a Karou + seu senso de amizade + sua personalidade destrambelhada das ideias torna um conjunto perfeito. Todas as vezes que Akiva apareceu, roubou a cena. Não apenas por ser extremamente lindo, mas porque sua personalidade é significativa a ponto de você querer conhecer sua história. Por vezes ele aparenta ser extremamente malvado e em outras ele é tão gentil a ponto de aparecerem lágrimas nos olhos. Todos os personagens tem a sua participação essencial no livro e maneira muito independente deixam a sua marca. É impossível não falar das características de cada um deles depois que termina de ler.

Outro ponto: Laini foi ambientar sua história em Praga, tirando o foco dos principais destinos que sempre são usados. E você procura imagens de Praga e encontras paisagens incríveis e consegue imaginar melhor como são as aventuras da Karou. Essa mistura com fantasia, portais, outros seres e um amor que não deveria acontecer é emocionante. Eu estou sendo extremamente modesta quando digo que a autora conseguiu bem seu objetivo porque seria muito mais fácil ela fazer uma bagunça e terminar o livro deixando tudo por arrumar. Na verdade, era isso o que eu esperava! Mas não! Ao mesmo tempo que é uma fantasia, é real e você não sabe dizer em que ponto na história uma começa e a outra termina, porque você já está envolvido. E quando tem a mistura desses dois mundos você se imagina ali dentro, com os sentimentos da Karou, indo e voltando no tempo, conhecendo o que aconteceu desde sempre. E é emocionante! Algo ainda mais importante que deve ter atenção: os dentes. Por mais estranho que pareça, eles tem papel principal e fundamental no livro. E está interligado totalmente com a história, se tornando uma das passagens mais importantes.

Onde quer que ficasse, a loja era um caixote sem janelas lotado de prateleiras que mais parecia um quarto de despejo da fada dos dentes - isso, é claro, se a fada negociasse com todas as espécies. Presas de víboras, caninos, molares sulcados de elefantes, enormes incisivos alaranjados de roedores exóticos e selvagens - estavam todos armazenados em recipientes e armários de boticários, amarrados em guirlandas que pendiam de ganchos, ou guardados em centenas de potes que podiam ser chacoalhados como maracas.

O que eu acho surpreendente é que, a parte que a maioria das pessoas acharam chatas nas resenhas que eu li, foi aonde eu comecei a ficar mais eufórica! Desculpa, eu não consigo falar isso sem soltar uma batalhão de spoillers, mas é tão genial o raciocínio, o modo como o círculo vai se fechando e o desfecho da história fica praticamente impossível levantar alguma questão sobre ter pontas soltas e etc. O romance aqui acontece, claro. E talvez seja esse o ponto que mais incomoda quem leu o livro. Eu, no entanto, achei tão encantador que não consegui encontrar algo que eu não tenha gostado. Não é algo fresco, chato ou cheio de mimimi para ler. Pelo contrário, quando você percebe que está acontecendo parece o certo. Ao mesmo tempo, a autora consegue contrabalancear trazendo bastante guerra, lutas, segredos, traições e todos aqueles personagens que amamos odiar.


É um livro incrível.

É um livro cheio de imaginação e uma construção INACREDITÁVEL!

É um livro que você precisa ir ler AGORA!

Okay, às vezes fico com receio quando eu indico tão veementemente algum livro assim porque as pessoas que leram não acreditam em tudo. Mas assim, eu não gosto de anjos e tem ainda mistura com quimeras, a personagem principal tem os cabelos coloridos e é uma super lutadora que não precisa de ninguém para ajuda - la a se defender e um anjo pra lá de lindo... Decida você se vale ou não a pena ler *sorrisinho de lado* O livro tem vários elementos e uma riqueza impressionante de detalhes, então, fica complicado saber até onde eu posso falar e o que falar.

Quando eu gosto, eu tipo, GOSTO MESMO! Eu até pensei em criar um fansite da série porque os direitos para o filme já foram comprados. *pulinhos* Eu deixo aqui para vocês algumas imagens que encontrei pela internet e que foram publicadas pela própria Laini que remete a história. É encantador apenas olhar para esse tanto de cores e ter uma visualização do que a sua imaginação já criou.

Karou. Essa imagem eu encontrei no próprio site da autora e acho linda!

Izîl e Razgut. Só quem leu vai entender o
significado desses dois.
Brimstone e Karou e seu colar de dentes

Uma cena especial quase do fim do livro *-*

Vocês também devem visitar o site da autora, que tem muita informação bacana e de encantar os olhos sobre os livros e os personagens, incluindo vídeos que fala sobre cada personagem! O da Zuzana, claro, é bem bacana! ;) No pinterest também tem muitas imagens que remetem ao livro que vale a pena conferir.